Crise climática e infâncias: um futuro em risco que exige ação agora

As mudanças climáticas já não são uma ameaça distante, são uma realidade que atinge o presente e compromete o futuro, especialmente de crianças e adolescentes.
Ondas de calor, enchentes, secas e deslizamentos afetam a saúde, a educação e a segurança de milhões de meninos e meninas em todo o mundo.

Segundo o UNICEF (2021), mais de 1 bilhão de crianças vivem em áreas de alto risco climático. E, no Brasil, a vulnerabilidade é ainda maior nas comunidades periféricas, onde faltam saneamento, áreas verdes e políticas de adaptação.

Um marco histórico: Conanda publica resolução inédita

Diante desse cenário, o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) aprovou uma resolução inédita que reconhece as mudanças climáticas como uma ameaça direta aos direitos da infância.

O documento orienta o Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente (SGDCA) a atuar em situações de risco, eventos extremos e desastres de evolução lenta, alinhado à Constituição Federal, ao ECA, à Convenção sobre os Direitos da Criança, ao Acordo de Paris e ao Comentário Geral nº 26/2023 da ONU.

Com base em princípios como prevenção, mitigação, adaptação e reparação, a resolução propõe diretrizes concretas para políticas públicas que assegurem justiça climática, equidade e participação infantil.

Esse avanço se soma às ações do Conanda durante a calamidade no Rio Grande do Sul (2024), quando o Conselho, em parceria com o Instituto Alana e o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, publicou recomendações emergenciais para proteger as crianças afetadas.

Agora, o país dá um passo além: coloca as infâncias no centro da agenda climática.

A voz das periferias: a COP das Quebradas em Belo Horizonte

Enquanto o Conanda define marcos nacionais, a transformação também nasce nos territórios.
No início de outubro, Belo Horizonte sediou a COP das Quebradas, um encontro que reuniu moradores de vilas, favelas e ocupações para discutir propostas de justiça climática a partir da escuta ativa das comunidades, aquelas que sentem primeiro e mais intensamente os efeitos das mudanças do clima.

Alguns dos educandos da Associação Querubins participaram do evento, levando suas perspectivas e aprendizados sobre sustentabilidade, meio ambiente e cidadania.
Essas vivências fortalecem o protagonismo juvenil e mostram que educação ambiental e participação social são ferramentas essenciais para a transformação.

COP30 em Belém: o Brasil diante de um chamado global

Enquanto o mundo acompanha a COP30 em Belém, o Brasil se destaca como anfitrião e protagonista na luta por um futuro sustentável.
Temos o desafio de construir um novo paradigma de desenvolvimento, capaz de conciliar economia, equidade social e proteção ambiental.

Para isso, é urgente ouvir as infâncias, não apenas como público a ser protegido, mas como agentes ativos de mudança.
A nova geração precisa de espaço para propor, questionar e agir em favor do planeta que herdará.

Educar para um futuro possível

Na Associação Querubins, acreditamos que educar é também cuidar do planeta.
Ao integrar temas como arte, cidadania, sustentabilidade e convivência em nossas oficinas, buscamos formar jovens conscientes de seu papel como guardiões do futuro.

Cada gesto; plantar uma árvore, reduzir o desperdício, discutir direitos; é uma semente de transformação.
E cada criança empoderada é uma força contra a indiferença climática.

Por uma infância protegida e um planeta saudável

A crise climática é um desafio global, mas as soluções nascem do local: das comunidades, das escolas, das famílias e das organizações sociais.
A nova resolução do Conanda e eventos como a COP das Quebradas mostram que o Brasil começa a trilhar um caminho de justiça climática com foco nas infâncias.

Proteger o planeta é, antes de tudo, proteger as crianças.
Elas são as mais afetadas hoje e serão as que mais sofrerão amanhã, se não agirmos agora.

Explore outros conteúdos sobre cidadania, sustentabilidade e infância em nosso blog e descubra como o Querubins contribui para um futuro mais justo e humano.