Em territórios marcados por desigualdades históricas, a educação não acontece apenas dentro da escola. Ela se constrói também nos espaços comunitários, nas relações de cuidado, no acesso à cultura, ao esporte e à escuta qualificada. Nesse contexto, as organizações da sociedade civil (OSCs) exercem um papel fundamental no apoio educacional de crianças e adolescentes em comunidades periféricas.
A Associação Querubins, localizada em Belo Horizonte, é um exemplo concreto de como a atuação comunitária, quando estruturada e comprometida, amplia oportunidades educativas e contribui para o desenvolvimento integral de crianças e jovens.
Educação para além da sala de aula
O conceito de educação integral, defendido por autores como Anísio Teixeira e Paulo Freire, parte da ideia de que o sujeito aprende em múltiplas dimensões: intelectual, emocional, social, cultural e corporal. Nas periferias urbanas, onde o acesso a políticas públicas nem sempre é contínuo ou suficiente, as OSCs assumem um papel complementar e estratégico.
Na prática, isso significa criar espaços seguros de aprendizagem que valorizem o território, a identidade e as experiências de vida dos educandos. Oficinas culturais, esportivas e formativas, como as desenvolvidas pela Associação Querubins, ampliam repertórios, fortalecem vínculos e contribuem para a permanência escolar.

O fortalecimento do vínculo como base do processo educativo
Pesquisas na área da educação e da psicologia do desenvolvimento apontam que o vínculo afetivo é um fator determinante para a aprendizagem. Segundo Henri Wallon e Lev Vygotsky, o desenvolvimento cognitivo está profundamente ligado às relações sociais e ao ambiente em que o sujeito está inserido.
No trabalho cotidiano da Associação Querubins, esse vínculo se constrói por meio da escuta, do acolhimento e do reconhecimento dos educandos como protagonistas. Educadores e educadoras atuam não apenas como transmissores de conteúdo, mas como mediadores de experiências, criando condições para que crianças e adolescentes se expressem, experimentem e aprendam com segurança.

Arte, esporte e cultura como estratégias educativas
Em comunidades periféricas, a arte e o esporte não são apenas atividades complementares: são estratégias potentes de aprendizagem e desenvolvimento humano. A arte-educação, defendida por autores como Ana Mae Barbosa, possibilita a construção do pensamento crítico, da sensibilidade estética e da autonomia.
Da mesma forma, o esporte contribui para o desenvolvimento motor, emocional e social, promovendo valores como cooperação, respeito e disciplina. No Querubins, oficinas de música, dança, artes visuais, futsal, jiu-jitsu, judô e outras práticas dialogam diretamente com a realidade dos educandos, fortalecendo autoestima e senso de pertencimento.
O papel das ONGs na redução das desigualdades educacionais
Dados do IBGE e do UNICEF indicam que crianças e adolescentes em contextos de vulnerabilidade social estão mais expostos à evasão escolar, ao trabalho infantil e a outras violações de direitos. Nesse cenário, as OSCs atuam como pontes entre o território, a escola, a família e as políticas públicas.
A Associação Querubins, ao desenvolver ações contínuas e articuladas, contribui para a redução dessas desigualdades ao garantir acesso a experiências educativas que muitas vezes não estão disponíveis no cotidiano dessas crianças e jovens.
Educação como direito e como prática coletiva
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece a educação como um direito fundamental e responsabilidade compartilhada entre Estado, família e sociedade. As OSCs, portanto, não substituem o papel do poder público, mas fortalecem a rede de proteção e ampliam as possibilidades de aprendizagem.
No caso da Associação Querubins, a educação é entendida como uma prática coletiva, construída em diálogo com o território, com as famílias e com os próprios educandos. É nesse encontro entre arte, esporte, cultura e escuta que se constroem caminhos mais justos e possíveis.
Caminhos para fortalecer o apoio educacional nas periferias
Reconhecer o papel das OSCs no apoio educacional de comunidades periféricas é também reconhecer a potência dos territórios e das pessoas que os habitam. Investir em iniciativas como a Associação Querubins é apostar em uma educação que transforma realidades, fortalece vínculos e constrói futuros com mais equidade.
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