Toda criança cresce em um território. Mas nem toda criança aprende a reconhecer o valor dele.
Em contextos marcados por desigualdades, é comum que comunidades periféricas sejam vistas, e muitas vezes se vejam, a partir da falta: falta de infraestrutura, de oportunidades, de segurança.
Mas existe outra narrativa possível. E necessária.
Quando crianças e adolescentes reconhecem sua história, seu território e suas raízes, algo muda: nasce o sentimento de pertencimento. E, com ele, a potência de transformação.
O que é território?
Território não é apenas o lugar onde se mora.
É o conjunto de:
- histórias
- relações
- culturas
- memórias
- afetos
É onde a vida acontece.
Reconhecer o território é entender que ele carrega identidade, mesmo diante das vulnerabilidades.
O impacto do pertencimento no desenvolvimento
O sentimento de pertencimento é um dos pilares do desenvolvimento humano.
Quando uma criança se sente parte de algo, ela:
- desenvolve mais autoestima
- constrói identidade com mais segurança
- se expressa com mais confiança
- se relaciona melhor com o mundo
Por outro lado, quando esse vínculo é fragilizado, surgem inseguranças, distanciamento e até negação da própria história.
O risco de crescer sem pertencimento
Muitas crianças crescem ouvindo que seu território é “problema”, “perigo” ou “lugar de onde se deve sair”.
Isso pode gerar:
- vergonha da própria origem
- baixa autoestima
- sensação de não pertencimento em outros espaços
- dificuldade de projetar o futuro
Quando a única narrativa é negativa, o território deixa de ser espaço de identidade e passa a ser visto como limite.
O papel da arte e da educação
A arte e a educação têm um papel fundamental na reconstrução dessa narrativa.
Por meio de experiências educativas e culturais, é possível:
- valorizar histórias locais
- resgatar memórias
- estimular o olhar crítico
- fortalecer a identidade
Projetos que incentivam crianças a olhar para o próprio território, como registros fotográficos, narrativas, mapas afetivos e expressões artísticas, ajudam a transformar a forma como elas se veem e se posicionam no mundo.
Pertencimento como potência
Reconhecer o território não significa ignorar os desafios.
Significa entender que, além das dificuldades, existem:
- cultura
- criatividade
- redes de apoio
- histórias de resistência
E que tudo isso também faz parte da identidade.
Quando uma criança entende isso, ela deixa de se ver apenas como alguém que precisa “sair dali” e passa a se ver como alguém que pode transformar, ocupar e ressignificar espaços.

O papel das organizações sociais
Organizações como a Associação Querubins atuam diretamente nesse fortalecimento do pertencimento.
Ao promover atividades que conectam os educandos com suas histórias e territórios, contribuem para:
- construção de identidade
- fortalecimento da autoestima
- desenvolvimento crítico
- valorização cultural
Essas ações ajudam a formar sujeitos mais conscientes, seguros e preparados para atuar na sociedade.
Pertencer é existir com dignidade
O sentimento de pertencimento não é um detalhe no desenvolvimento, é uma base.
Quando uma criança reconhece sua história, valoriza sua origem e se sente parte de um território, ela constrói um caminho mais sólido para o futuro.






